Áspero

4.10.04

Dois bois tomam a tela. Em primeiro plano, um copo de leite achocolatado, com a embalagen do produto ao lado. Um boi conversa com o outro, dizendo que drum´n´bass é o legal, enquanto o outro boi discorda, dizendo que é psicotrance.

Chega um terceiro boi, cantando bolero. Um dos bois faz careta e diz para ele tomar o achocolatado.

Corta a cena, mostra um adolescente cabeludo tomando o achocolatado.

O que podemos extrair desse comercial que está passando na MTV:
  1. Quem gosta de música eletrônica não passa dum bovino
  2. Quem toma o achocolatado, passa a entender de música eletrônica - quem não entende, é convidado a tomar o achocolatado
  3. Se o adolescente quer ficar por dentro da música eletrônica, precisa tomar um achocolatado. E por extensão, virar um quadrúpede

Dois bois tomam a tela. Em primeiro plano, um copo de leite achocolatado, com a embalagen do produto ao lado. Um boi conversa com o outro, dizendo que drum´n´bass é o legal, enquanto o outro boi discorda, dizendo que é psicotrance.

Chega um terceiro boi, cantando bolero. Um dos bois faz careta e diz para ele tomar o achocolatado.

Corta a cena, mostra um adolescente cabeludo tomando o achocolatado.

O que podemos extrair desse comercial que está passando na MTV:
  1. Quem gosta de música eletrônica não passa dum bovino
  2. Quem toma o achocolatado, passa a entender de música eletrônica - quem não entende, é convidado a tomar o achocolatado
  3. Se o adolescente quer ficar por dentro da música eletrônica, precisa tomar um achocolatado. E por extensão, virar um quadrúpede

19.9.04

Com o telemarketing

Acabei de conceber uma prova: Telemarketing funciona. Minha prova começa com o princípio que nunca devemos subestimar a estupidez: Para cada coisa estúpida que existe, há um ser humano que ache esta mesma coisa positiva.

Vejamos o telemarketing. Em época de eleição, candidatos pagam para se ligar na casa dos cidadãos para rodar uma gravação.

Thomas Edison deve dançar o fado dentro da tumba. Seu aparelho, criado para auxiliar a comunicação entre os seres humanos, é utilizado por proto-políticos para rodar gravação de um lado e propostidamente não dar ouvidos a quem está do outro lado.

Este ano inovaram: A gravação começa com algo "não desligue!". Ou seja, eles tem plena consciência que esse tipo de publicidade é afrontosa e que o primeiro passo da vítima é bater o telefone e retomar o tempo que perdeu atendendo uma gravação.

Mas mesmo assim, eleição após eleição, insistem nisto. Sinal que levam a sério. Telemarketing ativo é estúpido, mas há estúpidos que gostam disso.

Com o fumódromo

Aviso a comunidade científica: Hoje consegui flagrar o elo perdido entre o ser humano e o macaco. O animal, de estatura mediana, poucos pelos no corpo, em espantosa postura semi-ereta (estava escorado a uma cerca) fumava dentro do playground com algumas crianças, de um restaurante no qual eu estava.

Pra resolver fumar neste local, bom, o sujeito ainda não chegou ao estágio da civilidade.

30.8.04

Com o sample de Jesus

Música eletrônica está para música o que o miojo está para culinária. Não demanda de muito talento, investimento ou tempo para preparar qualquer um dos dois.

Há exceções como Fat Boy Slin ou Kraftwerks, nos quais eu dou conta de ouvir. De resto, todas as músicas me soam exatamente iguais. Claro que sei que há diferença, mas elas me soam desagradavelmente iguais.

Quem curte mais do que precisa de substâncias que alteram a percepção para tolerar aquilo. O que me faz pensar que sobre o efeito desses tóxicos, Bruno & Marrone também poderiam ser escutáveis. O problema é o perigo de overdose para que os ouvidos percam a sensibilidade a essa dupla.

Pois bem, voltando a música eletrônica. Acho que ela nasceu a partir dum disco furado, que repetia o mesmo trecho da música por horas a fio - e ninguém se deu conta disso.

Hoje, caminhando pela minha cidade, vejo uma faixa promovendo uma festa: "Festival de Música Eletrônica Gospel"

Madre de Dios. Sabe-se que música gospel já é repetitiva com a mensagem. Imagina sendo mesclada com o ritmo eletrônico, repetitivo por excelência.

Haja exctasy.

18.8.04

Com essa juventude

Campanhas eleitorais são populares engodos, mas ao menos, a gente se diverte. Hoje, num cruzamento, um cabo eleitoral veio me entragar o santinho do seu chefe provisório.

No papel, o mote do candidato: "Chegou a hora da juventude mostrar sua força". Até aí nada demais. Se o partido dele não fosse o PAN - Partido dos Aposentados da Nação.

O que esse mote e o partido tem a ver, é um mistério tão grande quanto relacionar o voto obrigatório com democracia.

12.8.04

Com a criatividade publicitária

Uma nova onda de produtos toma o mercado: Alvejantes para dentes. No canal Fox começou a passar uma campanha com um deles, com dois comerciais.

Basicamente, são o mesmo mote, mas com personagens diferentes: Num ambiente descontraído, entra um homem (no outro comercial, uma mulher) sem grandes atrativos físicos. Seu alvo de paquera olha e nem dá moral. Eis que o homem (no outro comercial, uma mulher) dá um sorriso, mostrando o resultado do produto.

O alvo da paquera olha novamente e vê um efeito especial aonde o homem (no outro comercial, uma mulher) vão se tornando gradativamente mais atraentes.

Isso mesmo. Usando a pasta dental, você deixará de ser calvo, seu bíceps inchará, seus seios se empinarão e seus lábios, carnudos.

O comercial não mostra, mas provavelmente consumidores desse produto também deixará de ter saldo negativo no banco e terão seus CPFs retirados do Serasa.

Contar verdade em comercial deixou de ser tendência. A onda agora é ser criativo.

Com a escolaridade

Qual a diferença entre uma criança civilizada e uma criança criada entre índios dentro da floresta? É que a índigena aprenderá coisas práticas para assegurar sua sobrevivência no meio aonde vive. A criança urbana, ao invés disso, vai para escola.

21.7.04

Com os critérios

Nada é mais complicado de qualificar do que a pornografia. Afinal, quanto pior ela é, melhor ela é.

20.7.04

Com a cafeína

A gente sabe que deve maneirar na quantidade de pó na hora de fazer o café quando esquece uma caneca em cima da mesa com um resto de café e no dia seguinte, amanhece o fundo forrado de formigas mortas por intoxicação.

19.7.04

Com a sintonia

Por uma inadiversidade irrelevante, troquei de carro com meu cunhado, por alguns dias. Uma da diferenças entre os veículos é que o dele tem rádio. Num dia resolvo então fazer uma coisa que há mais de 15 anos fazia: Sintonizar uma estação.

Nesses dias, a coisa mais roquemrrôu que consegui sintonizar foi a "A Voz do Brasil". Quando as rádios não tocavam baladinhas, tocavam pop daquele tipo que costuma aparecer em programas vespertinos dominicais.

Certo diz, fugindo duma estação para outra, sintonizo uma rádio que está tocando um solo de guitarra. Resolvi deixar sintonizado. O solo continua até que entra bateria. Bom, isso parecer ser música de qualidade (ou seja, o velho e bom rock bate-estaca). Aí depois de quase dois minutos de introdução musical, entra o vocal, com o seguinte verso:

- Só Jesus salva.

E o vocalista berrava esse verso, seguidas vezes, com bastante energia.

Dessa experiência traumática eu formulei um critério: Qualquer música exagerada, é gospel. Exagera na intro, nos efeitos, nos recursos musicais. Só não exageram na novidade da mensagem. Aliás, são bem econômicos nisso.

18.7.04

Com a água marvada

A idade apura nossos gostos. Mas o álcool nos deixa ecléticos.

17.7.04

Com o humorismo

Certa vez estava caminhando na praia quando tropeço numa lâmpada. Esfrego sua superfície como reza o conto e não é que de fato tinha mesmo um gênio dentro dela?

- Desejo que o programa Zorra Total seja tão engraçado quando o Casseta e Planeta, pedi ao gênio.

Meu árabe estava meio enferrujado na época. Isso explicaria o erro de interpretação do meu pedido, fazendo com que atualmente o Casseta e Planeta esteja no mesmo nível de engraçabilidade do Zorra Total.

15.7.04

Com o marketing político

Nâo é só a ditadura que promove a tortura. Democracia tem também dessa monstruosidade, só que com outro nome: Campanha eleitoral.

Eu preferia ter arrancada uma unha ao invés de ter que ouvir jingle de candidato que se aproveita de algum sucesso popular (ou seja, alguma música com refrão chiclete que não sai da sua cabeça - estilo "Tô nem aí" ou "Vai rolar a festa") para martelar seu nome e número.

Afinal, unhas eu só tenho 20. Jingles, parece que são infinitos.

6.7.04

Com a compatibilidade

No supermercado, na seção de eletrônicos, resolvo me deter para conferir alguns modelos de fone de ouvido.

Um deles vem estampado em sua embalagem duas logomarcas: Uma escrita "MP3" e outra, "Compact Disc".

Deixa eu ver se entendi: O fone de ouvido queria dizer ser compativel com essas duas tecnologias? Procurei conferir se não era um aparelho de reprodução, mas era apenas um fone de ouvido ordinário. Ordinário, mas apropriado para ser usado com "MP3" e "Compact Disc".

Seria a mesma coisa que dizer que alguma marca de videocassete é compatível com o novo cinema brasileiro.

Com o desarmamento

Navegando nas diversas comunidades dentro do Orkut, descobri que existem várias delas sobre o mesmo assunto: contra projetos de desarmamento.

Afinal, o homem tem que cuidar do seu. Curiosamente, algumas delas conta inclusive com participação feminina, contrariando meu preconceito no qual essa raça era constituída apenas de seres com bom senso.

Embora eu concorde que o cidadão tem mais é que se armar. Afinal, o que irá garantir sua segurança na hora de subir o morro pra comprar drogas?

5.7.04

Com a falta de novidade

Como colaboração para os jornalistas, estou pensando em lançar um serviço chamado de CPDP, ou Central Permanente de Distribuição de Pautas.

Essa central terá um banco de dados para prover idéias para pautas, quando não há nenhuma novidade para se publicar e partindo da premissa que mais fácil que ter uma idéia nova, é reciclar uma que já existe. Eis alguns exemplos:

Casas de swing
Matéria aonde jornalistas frequentam casas e festas aonde casais trocam os parceiros para sexo sem fins de procriação.
Troca de profissões
Aqui o jornalista iria entrevistar mulheres que executam trabalhos tipicamente masculinos e homens que executam trabalhos tipicamente femininos. Encerra a matéria com depoimento dos usuários elogiando o profissional que se dá bem em profissão atípica.
Por onde anda?
Entrevistar gente que foi famosa no passado e hoje está num ostracismo suficiente para não querer cobrar para dar entrevista.
Você usaria?
Pega-se um modelo e bota com alguma roupa estravagante criada para desfile de modas. Na rua, mostra o modelo e pergunta aos transeuntes se eles teriam coragem de vestir aquilo. Uma versão mais econômica seria ao invés do modelo vestido, levar uma TV com vídeo e exibir o desfile.
O dia de hoje, no passado
Usando qualquer enciclopedia eletrônica, pesquisar eventos importantes que aconteceram naquele dia, eras atrás. Tal como independência da Birmânia ou a descoberta do supositório de glicerina. Variante: Sair na rua e perguntar ao público se eles sabem do que se trata o dia.
Papel de porteiro
Aqui jornalistas relatam os acontecimentos peculiares quando se empregam como porteiro em motéis. Variante é se empregar como atendente de sexshops


Aguardem para novas inclusões no CPDP.


Com a autocrítica

Numa caminhada, acompanho por alguns metros um bando de adolescentes discutindo a respeito de desenho animado. Um deles solta esta pérola:

"O melhor desenho animado que tem é Os Simpsons. Eles tem muita autocrítica



Navalha de Ockham: Esse rapaz estava se referindo a um número mínimo de referência aonde de fato Os Simpsons desfiaram autocrítica ou o mais provável, esse rapaz não fazia a menor idéia do que estava dizendo, achando que se referir a "autocrítica" o fazia mais inteligente do que dizer apenas "crítica", coisa que me parece ser o mote do desenho.

22.6.04

Com os símbolos

Outra coisa relatada no "O Código Da Vinci": O planeta Vênus descreve no céu terrestre um pentagrama (uma estrela de cinco pontas) num ciclo que dura 8 anos.

Vênus (Afrodite, no panteão grego) era a dividade da beleza, da sexualidade (não necessariamente do amor) e fertilidade, entre várias outras interpretações de seus predicados. No fim de cada ciclo do seu astro símbolo, os povos gregos promoviam celebrações - ou seja, o que seriam as Olimpíadas hoje.

Inclusive se cogitou o uso do pentagrama como símbolo dos jogos, já que eram relacionados ao ciclo de Vênus. Hoje se usa os cinco anéis, com a desculpa que representam cada um os cinco continentes.

Mas é impossível deixar de notar que a quantidade de pontas do pentagrama ainda ficou implícito no símbolo atual.

Pentagrama, tal qual aquele que é relacionado como sendo símbolo de religiões demoníacas.

Com os valores cristãos

No post abaixo especulo sobre os valores que o catolicismo empurrou, fazendo de vilão quem adorava a natureza. Pode-se alegar que aquilo era a idade de trevas, por isso se justifica esse ato tão pouco correto dos doutrinadores cristãos.

Infelizmente algo desse medievalismo ainda existe. Afinal, a igreja católica condena o uso de preservativo.

Se eles ainda fazem isso na era da informação, imagina como era na idade das trevas.

Contudo, o catolicismo não passa apenas valores negativos. Talvez seja conveniente desassociar a doutrina cristã da religião cristã. Coisa que as máfias baseados no cristianismo não fazem muito gosto de assistir.

Com a invasão cultural

Tem alguns anos que eventualmente topo com situações de invasão cultural e subversão dos costumes para forçar a adoção de valores estrangeiros, em detrimentos dos valores passados de pais para filhos durante gerações.

Não me refiro aos enlatados americanos. Me refiro a religião católica.

Uma vez, lendo a respeito da mitologia céltica - celtas era o povo que ocupavam a região que compreendia Irlanda e Inglaterra. Não se chamavam de celtas, era os romanos que os chamavam assim. Pois bem, embora os celtas não fossem uma unidade política, tinha tradições religiosas em comum. Adoravam a deusa em forma da mãe terra, que era consorte (mas não uma esposa subjulgada) a Carnun (a sintaxe pode estar errada), o deus masculino das feras.

Como era descrito Carnun? O detalhe mais pronunciado dele era um par de enormes cornos na testa. Chifres, como os que o demônio cristão tipicamente usa pra atormentar a humanidade. Fora a calda e patas de bode, já que Carnun usava peles de animais como roupa.

Tradições gregas tinham no tridente de Poseidon, o deus dos oceanos, um símbolo. Coincidência o Belzebu usar um hoje em dia um pra espetar as almas danadas.

Ganhei de presente "O Código Da Vinci". Embora tenha lido críticas ruins, é boa diversão o livro. O personagem principal é um especialista em simbologia - logo nas primeiras páginas ele disserta a respeito dessa invasão cultural cristã.

Hoje em dia podemos atravessar o globo - limite geográfico deixou de ser problema. Mas em idos medievais, vilarejos rurais que hoje levamos apenas algumas dezena de minutos para chegar de carro, naquele tempo exigia dias de viagens.

Esse isolamento numa época de trevas cultural impedia que o cristianismo se alastrasse. E os rurais, sem acesso a religião "oficial", restava adorar a natureza e seus aspectos "pagões" - no livro, o termo pagão é explicado como provindo do paganus, povo provindo do campo. Quem vem do campo não é mal, apenas não divide conosco nossos valores por conta do isolamento. No livro também se levanta outro termo, "vilão" - provindo de villanus, não é a pessoa má, apenas quem mora numa vila.

Procede essa informação a respeito dessas palavras. Basta acionar algum dicionário de latim.

Logo, essa infâmia relacionada à pagões e a vilões, nada mais é do que propaganda cultural do cristianismo, atribuído esse tipo de gente que não adotava a religião certa.

18.6.04

Com o puppet

Agora na hora do almoço, zapeando entre os canais, contei nada menos que três programas passando na mesma hora aonde o apresentador dividia o palco com aqueles bonecos de espuma.

E olha que nem estava passando "Programa do Ratinho" ou "Mais Você".

Isso pode significar duas coisas:

O apresentador é tão ruim que precisa dum boneco desbocado e piadista para sustentar a audiência.

O telespectador é tão idiota que se prende a um programa que precisa de um boneco desbocado e piadista.

16.6.04

Com o share-of-mind

21, 31, 23, 13.

A publicidade em 2004 promete ser acirrada. De um lado, as companhias telefônicas tentando empurrar seus prefixos. Do outro, os partidos políticos.

Com as coisas velhas

Publicidade é o deserto da criatividade, logo, toda gota que pingar, acham que é riacho.

Um comercial de um banco passando atualmente atenta que antigamente, um celular de 700 gramas era símbolo de status - mostra então a cena dum executivo com o aparelho pendurado na cintura, encurvando seu corpo por causa do peso.

Engraçado isso. Na época que lançaram esse referido aparelho, a mesma publicidade o jubila como estado-da-arte da tecnologia. Agora, a mesma publicidade gospe em cima do produto.

Logo, comece a assistir comerciais a partir dessa ótica: Hoje eles apresentam um produto como sendo a melhor da categoria e do mundo. Amanhã, você que usou este produto será referência negativa na publicidade.

Com as repartições

Por que serviços públicos são tão ruins? Simples lei de mercado: Existe apenas um fornecedor de serviço público, o governo. O consumidor não tem como optar pelo melhor, só tem um. E este pode fazer o serviço imundo que quiser, que não fará diferença. Não tem concorrente mesmo.

Para um funcionário público, atender 15 pessoa por hora ao invés de 2 não é vantagem alguma. Seu salário é fixo, sua estabilidade é garantida, nenhum outro funcionário está concorrendo por comissão, ele não precisa assegurar seu emprego se mostrando eficiente.

Por isso repartições públicas são o que são.

Solução? Oras, abrir concorrência.

Vide a telefonia. Quando era estatal, você tinha que dormir na fila de algum plano de expansão, pagar mensalidades durante anos para depois receber o aparelho. Hoje, com a livre concorrência, a Brasil Telecom me liga me oferecendo segunda ou terceira linha por 6 meses de graça. Instalam no mesmo dia.

Então, chega de ter apenas um fornecedor de serviço público. Chega de eleições que elege apenas um fornecedor. Todo partido deve ter o seu próprio governo. Ter 5, 6, 20 governos operando simultaneamente, concorrendo entre si para ver quem conquista mais consumidores.

Mais simples que neoliberalismo, menos caótico que anarquia.

Com gregos e troianos

Uma feira livre não é um mero encontro de pobres comprando cebolas. São tratados de sociologia. Doutorados antropológicos.

Hoje passei numa pra abastecer minha casa. Resolvo parar e comer um espetinho de gato, numa banca completamente deserta - o que abriu a oportunidade do vendedor de espetinhos puxar conversa.

- Você viu aquele filme que tá passando? O do cavalo?

- (eu, comendo) Nhóc nhóc nhóc Tróia nhóc?

- Esse mesmo. Vi ontem. Cara, que filme.

- Não assisti ainda sluuuuuuuúrp (Refrigerante, via canudinho)

- Muito bom... Assim tipo, eles não conseguiam entrar na cidade.

- (Só falta ele ter assistido Paixão de Cristo e vir querer me contar a história também) Poisé, teve que ser através do cavalo.

- Cara, aquele cavalo, vou te contar... Era um verdadeiro presente de grego!

- (Geeeeeênio) Mas foi daí que nasceu a expressão "presente de grego".

- Eu não sei não, a cidade, a Tróia, era muito bem construída. Acho que era coisa de Deus...

- (Deus existe. Senão quem mais me poria na frente de um sujeito que está afirmando que uma cidade-estado grega, unidades independentes com governo, exército e principalmente credo, panteão e mitologia, tinha parte com o Deus cristão?) Mesmo? Por que você diz isso?

- Era assim, a cidade era muito bem construída, organizada. As famílias eram bem formadas, os filhos respeitavam os mais velhos. Isso é coisa de Deus.

- (Ou de Zeus) Não vi o filme, não sei como fizeram.

- Aliás, aquele guerreiro também era pra ser de Deus, mas era muito arrogante. Escolheram certo o personagem, aquele, aquele...

- (Bom, ele deve estar querendo dizer "ator" quando disse "personagem") Brad Pitt?

- Esse mesmo... Ele é muito arrogante no filme.

Bom, só faltou ele falar que o Brad Pitt não tinha Zeus no coração.

Com o trava-língua

A exceção de que toda regra tem uma exceção é uma regra sem exceção.

14.6.04

Com a humildade

Acredite-me, a melhor coisa que pode acontecer com sua carreira. Esqueça palestras motivacionais, Você SA, dicas de headhunters e RH... Tudo isso foi feito por chefes que querem adestrar seu rebanho, digo, funcionários.

O melhor que você faz por sua carreira é assumir que você precisa achar alguma maneira de ser mandado embora. Quando mais petulante, melhor será para você. Os seus superiores irão perguntar a você antes de tomar decisões e os subalternos confidenciará a você tudo que vêem.

Em 2000, entrei numa empresa. Na verdade estava confortável como free-lancer. Fui na entrevista apenas para saber se poderia ganhar mais. Mas o dono da empresa começou com aquela conversa fiada de que a "empresa está começando", portando "vamos crescer juntos" e arrematou com o manjado "vamos vestir a camisa da empresa".

Ou seja, ao me dizer isso ele me alerta que a empresa dele é uma barca furada, não teria condições de me pagar e que a entrevista estava sendo uma perda de tempo.

Claro que aceitei a proposta de emprego. Afinal, como eu poderia me vingar duma tarde inteira perdida para ouvir essa conversa pra boi dormir?

No primeiro dia, o webmaster me pergunta como eu queria minha conta de e-mail da empresa.

- "Deus@nomedaempresa está disponível?"

- "Heim??" pergunta o webmaster.

- "Pode botar meu e-mail como "Deus@nomedaempresa"... Se não estiver ocupado, claro."

- "Você não acha que está sendo muito prepotente?"

- "Poxa, é mesmo, você tá certo..." - respondo, olhando para baixo. "Melhor eu baixar a bola então..." Então levanto a cara num tom sério e digo: "Pode colocar jesus@nomedaempresa.com.br".

Com o final de carreira

Detecto um padrão: Alexandre Frota fez um filme pornô. Rita Cadillac também. O que há mais em comum entre essas duas pessoas? Ora, no passado o Alexandre era casado com a Cláudia Raia. E entre um dos namorados famosos de Rita Cadillac, foi o Edson Celulari. E hoje Raia e Celulari são casados.

Se você se relacionou com um desses dois, cuidado com a maldição deles. Se bem que pro caso do Frota e Cadillac, fazer um pornô não deve ter sido maldição, mas uma graninha em boa hora.

12.6.04

Com a Fórmula 1

Tenho uma sugestão para a Rede Globo salvar a audiência da Fórmula 1: Reprisar as corridas da década de 80. Pois afinal:

  • As reprises podem ser menos previsíveis do que as corridas ao vivo são hoje.
  • Naquela época, quem dirigia o carro era o piloto, não o dono da escuderia, via rádio, dentro do box.
  • O piloto não era acessório naquele tempo.
  • Naquela década o narrador narrava o evento, ao invés de ser um torcedor chato e inconveniente dos brasileiros.

24.4.04

Com o jeito de falar

"Na boa", por que alguém ao dirigir uma crítica para uma outra pessoa, começa falando "na boa"?

"Na boa, tú é muito chato"

"Na boa, cê tá fedendo"

"Na boa, que comentário imbecil"

Acho que seguindo essa linha de raciocínio, é válido fazer elogios começando com "na pior".

"Na pior, você fez um excelente trabalho!"

19.2.04

Com o cabo

Não é de toda verdade que TV a cabo é só coisa de qualidade: Até hoje ainda passa aquele comercial do ET do provedor Terra no canal Fox. O mesmo comercial, da Débora Secco. Todo santo dia.

Com o Ariel

Já deve ter uns bons 15 anos que não é novidade usar na publicidade de sabão em pó um lance chamado testemunhal: Pega-se consumidoras do produto (ou atores que finge ser consumidores do produto) para falar espontaneamente (ou fingir falar) o quanto o produto é bom (ou fingir que é bom).

O sabão em pó Ariel tá com um comercial assim. Vi dia desses, enquanto eu almoçava. Confesso que foi uma das experiências mais nojentas que vi na TV.

A testemunha vai falar como o Ariel entrou na vida dela. Ela tem uma daquelas cachorrinhas luluzinha, com lacinho nas orelhas e ficam somente no colo. Um tipo de bicho que eu já tenho nojo - gastam mais com produtos caninos, banhos, tosas e veterinário do que seus donos gastam com direitos trabalhistas de suas empregadas. E o cachorro fica passeando dentro de casa, defeca em qualquer lugar, fica em cima de móveis e camas. Não raro, o dono da de comer na boca do animal e beija aquele depósito de vermes. Argh.

Pois bem, não bastasse a luluzinha aparecer na TV na hora do meu almoço, que já me causa certo mal estar, a sua dona avisa que conheceu o sabão por que sua cachorrinha tinha entrado no cio (bluaaarrrgh!) e que tinha subido na cama dela (ugh, ugh, bluuuargh) e manchado de sangue todo o seu lençol.

Nem preciso terminar o desfecho do comercial. Ou o desfecho do meu apetite ao visualizar uma cadelinha luluzinha menstruando em cima de uma cama.

Imagina o que vem em minha mente quando vou ao supermercado e vejo uma embalagem de Ariel. Share-of-mind é isso aí.

Com o jornal vespertino

Dia desses vi um termo que me deixou negativamente surpreso. Num programa dito de notícias locais que passa na hora do almoço - aqueles que não conseguem encher pauta para completar meia hora de programa e para completar a grade, fazem matérias de pessoas em estado de miséria absoluta pedindo ajuda.

De alguns anos para cá, esse tipo de matéria ganhou dois novos recursos: O "Bóris Casoy" e o "Datena": O apresentados esbraveja dizendo que é uma vergonha o governo permitir essa situação e pede para repetir a imagem da pessoal na negra miséria.

Pois bem, o apresentador revoltado solta o termo: "Jornalismo assistencial".

Confesso que não conheço os entremeios jornalisticos. Sei que há o jornalismo político, investigativo, esportivo e o mais desprezível deles, que mexe com o que há de pior na sociedade aonde gente abjeta figura todos os dias: O jornalismo de coluna social.

Mas jornalismo assistencial foi dose. Assistencial pra quem? Para editores que não consegue preencher meia hora de notícias pertinentes? Por certo quem eles exploram para ser exibido recebe alguma ajuda e sai do sufoco por alguns dias. E só. Se baterem na porta da emissora duas semanas depois estão perfeitamente qualificados para aparecerem novamente na TV. Quem disse que miseráveis não tem seu próprio Big Brother?

Sempre considerei jornalismo como aqueles documentários do Discovery Channel. O pessoal filma escondidos e de longe usando lentes especiais os animais.

Não estou sendo elitista fazendo essa comparação. Só estou demostrando uma forma de jornalismo que não interfere na notícia.

Jornalismo assistencial seria como se esses jornalistas da Discovery, ao invés de filmar o leão capturando e devorando uma zebra, fossem lá e matassem o leão antes que ele atentasse com a vida da indefesa zebrinha.

O jornalismo pode ajudar quem está na negra miséria? Claro, levantando os fatos que levou a população a chegar naquele patamar e explicar como sair do sufoco, apontando entidades assistenciais que encaminham para mercado de trabalho, se me permitem exprimir uma solução simplista para caber num só parágrafo.

Acho feio ver pobre na TV? Não é essa a questão. Se eu tivesse resalva a isso, desligaria a televisão ao invés de criticar o jornalismo que se aproveita deles.

9.2.04

Com seu emprego

Você já sentiu inveja ou frustação por algum idiota estar numa posição superior a sua?

Isso só prova uma coisa: A vida não é uma questão de talento, mas de oportunidade. O idiota é seu chefe ou ocupa uma posição melhor que a sua apenas por que conhecia a pessoa certa, no lugar certo e no momento certo.

De nada adianta você trabalhar e estudar de sol a sol, se sacrificar, empregar energia para ser o melhor no que faz. Sem oportunidade, são os idiotas que conquistarão o mundo.

Agora imagina se a questão fosse talento e a mesma oportunidade era dada por igual a todos. Imagina quanta coisas boas a humanidade poderia estar desfrutando neste momento, mas não está por que a oportunidade não foi dada a pessoas que tinham talento para fazer mais do que era esperado.

Não foi dada a oportunidade por que foi desperdiçada com idiotas.

Com a eternidade

Há de convir que a morrer tem lá suas vantagens. Por exemplo, se um cantor (ou vocalista de uma banda) morre, passam suas músicas o dia todo nas rádios e em todo aniversário de morte. Sem precisar pagar por isso - por jabá póstumo não se cobra.

Mas como tudo no universo exige equilíbrio, para cada coisa boa há sua contraparte ruim: Se o artista morre, para aproveitar a comoção a sua gravadora organiza um tributo, aonde bota os cantores que estão naquele momento do auge para cantar suas músicas.

Claro, o fato do morto cantar um estilo totalmente distinto não impede de se colocar primeiro escalão da referida gravadora para desfiar seus sucessos. Os fãs orfãos são obrigados a aturar isso.

Imagine Chitãozinho e Xororó cantando músicas do Legião Urbana e terá uma boa idéia.

2.2.04

Com a publicidade

Publicidade é um mal social. Por certo ela movimenta dinheiro que gera empregos. Mas por outro lado, estimula o consumo, sem necessariamente prover como o indivído irá consumí-lo.

Ela prega um estilo de vida instigando o indivíduo a atingir um padrão de vida irreal - gente que tem vida emocionate, se relacionam com gente bonita e tem confortável patrimônio material, apenas por que usam uma determinada marca de tênis ou bebe determinada marca de bebida.

Ao não conseguir atingir esse padrão de vida, o indivíduo se frusta. Duvido que a frustação instigue o ser humano a dar o melhor de si.

E não há nem como o indivíduo virar a cara para a publicidade. Ela nos cerca por todos os lados, nos provê entreterimento, cobre nosso caminho diário, nos aborda quando estamos cuidando de outros aspectos de nossas vidas.

Com a imprensa

Imprensa independente não existe.

Poderíamos começar a considerar se algum veículo tem realmente jornalismo imparcial, se este não aceitasse publicidade. De que adianta se dizerem independentes se vivem às custas dos anunciantes? E se os anunciantes aprontam alguma coisa digna de pauta para o jornal? Eles terão independência para publicar que a empresa faz mal a sociedade?

Com o humoristas

Ontem, zapeando na TV vejo o quadro do Chico Anísio no programa Fantástico. Foi então que eu compreendi qualé a dele. Chico Anísio é um personagem dele mesmo.

Chico Anísio compõe o personagem Chico Anísio como um humorista de grande prestígio no passado passando hoje por uma enorme decadência. Se sujeita a ficar trocando de programa a programa, propondo projeto que não se alavaca, dizendo impropérios contra a emissora que já o prestigiou e tenta se manter no ar, repetindo a mesma fórmula de 30 anos atrás.

Não há diferença entre o personagem Chico Anísio com os personagens que o personagem interpreta. Eles são igualmente sem graça.

25.1.04

Com a foto ilustrativa

Considere isso, consumidor amigo: A publicidade nasceu primeiro para informar. Depois, ela passou a influenciar. Agora ela perdeu toda a vergonha e existe para te lograr.

Vejam os comerciais, impressos ou eletrônicos, do McDonald. Aquele sanduba lindo, suculento, fumegante e apetitoso. O recheio do sanduíche quase pula para fora do pão, tamanha é a fartura dentro dele.

Hoje, resolvi almoçar um Big Mac. Abri a caixinha, tirei a fatia do pão para passar catchup. Eis que eu noto uma coisa muito curiosa: O diâmetro do hamburger é pelo menos 15% menor que o diâmetro do pão, bem diferente do que aparece nas imagens publicitárias. Nem vou falar da espessura.

Até quando exisitirá esse logro da "foto ilustrativa"? Ao citar essa frase num anúncio, em letras microscópicas, o publicitário está assinando que está mentindo e que você nunca irá ter acesso ao produto ilustrado. Ele está te vendendo lote na lua, urubu voando e viagem no tempo.

Querem ser socialmente responsáveis, empresas? Comecem com sua comunicação. Ao fotografar seu produto, não mandem fabricar um especialmente para foto: Visite sua empresa e retire um da produção. O quê, um produto de linha de produção não se presta esteticamente para publicidade? Talvez então sua linha de produção é que deva mudar, ao invés de ter que mentir na hora de produzir publicidade.

Com o papelão II

Estava zapeando na TV quando peguei um comercial na metade - mal lembro o canal. Um ator caracterizado de aluno estava falando "...me chamou de boiola". Não entendi o resto e entra a assinatura do comerical dizendo que se você usa cadernos da marca "X", você pensa.

Vou reescrever esse post assim que tiver oportunidade de reassistir este comercial. Por que eu fiquei assombrado de ver um publicitário chamando os estudantes de "boiolas" e de estúpidos se não usam o caderno do cliente dele.

Me dá nojo ver como essa classe de profissionais se glamoriza, agredindo os consumidores dessa maneira.

23.1.04

Com a programação de mídia

Sincronicidade. Alguns post abaixo eu comentei coincidentemente sobre dois comerciais - Brahma e Carrefour, aonde ambas usam o Ronaldinho como garoto propaganda.

Segundo a coluna Ooops!, num dos intervalos do programa Fantástico, passou exatamente estes dois comerciais na sequência. Se o excesso de exposição desnecessário já não prejudicasse os anunciantes, o garoto propaganda e a Globo, no primeiro comercial o Ronaldinho fala que gosta da Brahma. No segundo, uma das ofertas anunciadas é da cerveja Kaiser.

Se é que ao menos o Ronaldinho beba cerveja. Ou ainda menos, faça compras no curral humano conhecido como Carrefour.

Com a exposição

Acabou de passar na TV um comercial anunciando a Expo Fome.

Esse nome só não mais infeliz do que o vereador que mandou espalhar na sua cidade faixas dizendo "Assembléia de Vereadores contra a fome, a miséria e a cidadania".

Com a realidade

O pior do Big Brother Brasil não é reunir um monte de paspalhos e assistí-los tendo conversas vagas - você poderia ter aquele tipo de conversa com qualquer pessoa que finge gostar, sem precisar estar dentro de um programa desse.

O que é pior neste programa, que convenhamos é de última categoria, é a Rede Globo mobilizar toda sua estrutura para promovê-lo.

Imagina o seguinte: Ao invés de exibir pessoas trancadas numa casa, a Rede Globo exibisse a grama crescendo. Faria chamadas durante toda a programação mostrando o vento batendo nas folhas e no horário nobre, mostrava os melhores momentos do dia, quando o sol incidiu, quando a chuva caiu. No final de 30 dias, vence a folha que mais cresceu.

Afinal, ver a grama crescendo me parece tão divertido do que ver aquele povo conversando ou se penteando.

Simplesmente o brasileiro iria fazer do Big Grama Brasil um sucesso de audiência, pela absoluta falta de alternativa.

Com a responsabilidade social

A onda marketeira agora são as empresas parecerem que se preocupam com a saúde de seus clientes. Afinal, cliente morto não compra.

Por exemplo, a fabricante de fumaça Philips Morris, que mata mais clientes do que todos os fabricantes de carros juntos, tem uma página alertando os perigos do cigarro. O mesmo acontece com aquele junkfeeder: Os perigos de se contrair um BigMac.

Por que alguém iria investir em informação que depõe contra seus negócios? Por dois motivos:
  • Ninguém presta atenção em informação séria. Se tivesem modelos de biquíni, personagens animados, tema musical que gruda, humor e efeito especiais, aí sim.
  • E segundo, alguém que processar a empresa por que seu produto lhe causou danos, a empresa pode alegar que informava os danos a respeito de seus produtos. O cliente que é trouxa de usá-los.

Contudo, acho que essa onda de responsabilidade social muito legal. Lembrando que 2004 é ano político, os sites dos partidos e candidatos poderiam alertar também os danos em se votar neles.


Com a enxurrada

Certa vez senti na pele por que não devemos jogar lixo nas ruas.

Tinha uma moto e fui visitar minha namorada. Chego a porta do prédio dela e estaciono a moto perperdicularmente ao meio-fio. Cai uma chuva torrencial e a rua ficava no fim de uma longa avenida ligeiramente enladeirada.

E todo o lixo depositado no chão da rua por gente que não teve a felicidade de conhecer o pai, de papel de balinha a cascos de Coca-cola 600ml, foram carregados e entupindo sistematicamente cada boca-de-lobo no decorrer da avenida.

A enxurrada que corria ao lado do meio-fio passava entre as rodas de minha moto. Enquanto era água, tudo bem. Mas o lixo se acumulou e minha moto virou uma represa. Claro, a água foi mais forte a represa, digo, moto, cedeu. Tobou e foi encoberta com a intensa enxurrada.

A pane elétrica custou apenas R$ 60. O problema foi tirar a água do motor e trocar as peças que se estragaram por causa do contato, me custando mais R$ 120.

Isso por que algum sujeito, preocupado com a mãe trabalhando à noite no cais, não podia guardar um papel de balinha no bolso ou carregar a garrafa de Coca-cola 600ml até o lixo mais próximo.

Com o nicotismo

O fumante precisa ter consciência que não apenas fumaça cancerígena que resulta do seu ato de fumar. Depois de cada dose de nicotina, sobra a bituca do filtro do cigarro.

Por certo em alguns lugares ainda se oferecem cinzeiros (Não deveriam, há lei federal que proibe o fumo em ambientes fechados). Os que fumam ao ar livre, depois de terminado o cigarro, não saem com a bituca na mão procurando um lixo, guardam de volta na carteira ou quem sabe, no bolso - o que observo e darem um peteleco na bituca para cair em algum outro lugar.

E depois de 20 bitucas despejadas, o meio-ambiente ganha a carteira vazia de cigarros. Pela quantidade que vejo no chão, aparentemente a ingestão de nicotina cria a ilusão que ao tocar o chão, os dejetos do cigarro também se dissolvem no ar, tal qual uma tragada.

Na praia é bem nojento você ver a quantidade de bitucas enterradas na areia ou sendo carregadas pelo mar. Aquilo ficou por cinco minutos na boca de outra pessoa. Não que eu tema germes - depois do fim do cigarro, a cepa deve ter morrido intoxicada.

Com esses diretores de arte

O jornal de maior circulação em Goiás (pra não dizer que é quase o único) resolveu, na sua influente coluna de economia e negócios, noticiar sobre a Parmalat.

Pra ilustrar a matéria de falência desta multinacional, colocaram uma foto dos "Mamíferos", campanha de sucesso na década de 90 dessa empresa, aonde lindas crianças se vestiam de animais mamíferos e todos tomavam leite Parmalat.

Foto apropriada é isso aí. Mais do que isso, só um jornal em São Paulo que certa vez publicou uma nota científica sobre o continente Antártico e mandaram ver uma foto da cerveja Antarctica para ilustrar a matéria.

Com o e-mail marketing

- Chefe, eu tenho uma grande idéia.
- Fala.
- A gente poderia mandar cartões de aniversário aos usuários de nosso site.
- Tá louco? Esse bando de imprestáveis não nos dá lucro e você quer gastar com selo para eles?
- É... Não dá certo.
- ...
- Mas chefe, e se fosse por e-mail?
- Por e-mail?
- É, e-mail. Sai quase de graça.
- Realmente! E a gente poderia fazer o seguinte, cria uma mensagem genérica, e um programinha fica varrendo nossos bancos de dados automaticamente, o ano todo, os aniversariantes do dia. E quando chegar a data de aniversário do sujeito, o programa aplica o nome dele na mensagem.
- É isso aí.
- Sim, com este programa que trabalha sozinho os clientes verão que a gente se lembrou do seu aniversário e que nos importamos com eles.

O que me motivou escrever esse provável diálogo foi ter visto, em dois blogs diferentes (este e este), gente comentando o cartão de aniversário que o Mercado Livre enviou a eles.

Do lado de dentro eles devem achar esses cartões são e-mail marketing. Aqui do lado de fora, um programa que lembra nosso aniversário para nos enviar publicidade não é marketing, é aborrecimento.

22.1.04

Com a breja

Folheando a revista Veja de duas semanas atrás, vejo um anúncio de uma marca de cerveja (das ruins) comemorando ter o Ronaldinho como garoto propaganda, ser a cerveja do futebol e agora tinha contratado um comentarista de futebol como garoto propaganda.

Qualquer bebedor de cerveja, por mais troglodita que seja, segura o copo de cerveja com delicadeza e usando no máximo a ponta de dois dedos. Há lógica nisso: Pra evitar que o calor da mão esquente a cerveja e a transforme num caldo nauseabundo.

A imagem do anúncio, artificialmente perfeita (denunciando a photoshopada), mostra o comentarista segurando um copo de cerveja. Segurando com os cinco dedos. Segurando não, abrançando o copo com a mão. Calor humano é isso aí. Se esse sujeito de fato bebe cerveja, começou por esses dias.

Pior que esta falta de identidade com o público, só o depoimento do Ronaldinho se gabando de viver como rei na Europa mas que sente falta desta cerveja brasileira. Se isso é verdade, a cerveja na Europa deve ter gosto de cebola estragada.

Se é que o Ronaldinho bebe cerveja, claro.

Com o peg-pag

O Supermercado Carrefour poderia considerar uma coisa: Ao invés de pagar centenas de milhares de reais para ter o Ronaldinho como garoto propaganda no último Natal, poderia pegar uma fração desse valor e contratar mais caixas para atender em suas lojas.

Acho que o sentido que os diretores e seus publicitários enxergam é o seguinte: Teoricamente o Ronaldinho atrai gente para loja. O exército de caixas faria com os clientes deixassem a loja (mais rapidamente). Logo, vamos investir torrilhões de reais em cachê e espaço na mídia e deixar 2/3 dos caixas nos supermercados vazios.

20.1.04

Com o seu diploma

Nunca mais use o fato de ser formado e/ou estar fazendo faculdade como algum diferencial em relação a sua pessoa.

Acabei de chegar da feira. Numa banca, aonde comprei duas dúzias de limão china a R$ 1, escuto o dono da banca falando com um amigo que vai prestar vestibular no meio do ano, e "se Deus ajudar" passava.

Curioso, pergunto ao feirante que curso ele iria prestar. "Mecatrônica", ele responde.

Desejei boa sorte a ele. Ele ainda aproveita para lamentar que vai gastar demais com mensalidades, já que a sua esposa já fazia Direito...

Com o cigarrinho do capeta

Legalizar a maconha? Os viciados em nicotina e bebidas alcoólicas já não causam transtorno o suficiente?

11.1.04

Com o papelão

Confesso que assisto televisão de vez em quando. Não sou viciado, assisto só para relaxar. Paro quando quiser.

Ontem vi um comercial de papel chamex. No final, o locutor diz: "Papel X - com ele você tira as melhores notas". Não era bem esta frase, mas o comercial finalizava assim, induzindo o fato de que se o aluno usar o papel de uma marca anunciada, valiam pontos extras em seu desempenho escolar.

No meu tempo, esse tipo de manipulação da publicidade ao menos era mais sutil. Mas hoje em dia, com a estiagem nos brainstorms das agências, o jeito é ser direto mesmo.

Com o get a room

Meu carro tem um problema sério de embaçar vidros. Eis que então eu resolvo colocar a internet para trabalhar nesse problema: Fui ao Google e pesquisei por "vidro embaçado carro" para ver se descolava alguma dica para resolver a questão.

A imensa maioria dos links que resultaram eram tratando de gente transando dentro do carro. Um problema que tenho em comum com esse tipo de gente.

9.1.04

Com a Elma Chips

Os lixos comestíveis embalados pela Elma Chips estão vindo com uma raspadinha, aonde se você raspar uma determinada soma de pontos, ganha valiosos prêmios. Como por exemplo, 1 pacote de Shits, digo, Cheetos, de 80g.

Bom, 80g mal dá pra tampar o buraco do dente. Me lembrou uma vez, quando o gato Manda-chuva promoveu uma rifa aonde o prêmio seria a devolução do valor da cartela.

Isso por que além do almejado prêmio, o detalhe das raspadinhas é o seguinte: Você tem 30 casas para raspar, e os números raspados tem que somar um número arbitrado na cartela. Já inteirou três vezes aonde noto a seguinte jogada: O número arbitrado é ímpar. E das 30 casas, apenas 1 deles é número ímpar.

Até mesmo os publicitários, expectadores da MTV e refugos do colegial em geral sabem só resulta número ímpar se há um número ímpar na soma.

Ou seja, já seria uma chance em 30 para você conseguir acertar o número ímpar e levar o grandessissississíssimo prêmio. Mas você ainda tem que raspar os demais números pares para perfazer a soma.

Se a Elma Chips está fazendo essa dureza toda para dar um pacote de 80g das suas rolhas de artéria, sinal que a situação lá deve estar russa. Se o lance era promover os salgadinhos, poderiam ser valendo uma viagem no tempo, já que as chances de alguém ganhar são mais remotas do que alguém fique esbelto comendo estes produtos.

Com a melodia

Como classificar se uma música é boa ou ruim assistindo MTV:
  • Se tem coreografia, é ruim.
  • Se passa de dia, é ruim.
  • Se é a mais pedida, é ruim.
  • Se é lançamento, é ruim.
  • Se tem efeito especial ou computação gráfica, é ruim
  • Se passa na MTV brasileira, sem dúvida nenhuma, é ruim.

Com o gancho de direita

O estado de Goiás é um dos mais proeminentes produtores pecuários brasileiros, com um rebanho estimado de 40 milhões de cabeças (IBGE, 2002). Há pronunciada evidência que essa quantidade de ruminantes tem grande importância para o estado, tanto economicamente quanto intelectualmente.

Senão como explicar uma das faculdades deste estado estar fazendo comerciais na televisão? Tá, não é grande coisa uma faculdade fazer publicidade para disputar alunos (No meu tempo, era o inverso). O problema é o garoto propaganda escolhido: Acelino Freitas, o boxeador Popó.

Nada contra esse exemplo de campeão. O problema é que o mérito desta pessoa para respaldar cursos superiores tem tanto a ver quanto chamar o Jó Soares para vender sopas emagrecedoras. Usar o Cascão numa linha de higiene pessoal. Ou Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, para vender aulas de canto.

8.1.04

Com a bicharada

Como tá todo mundo falando do Queer Eye For The Straight Guy (Mentira, acabei de ver isso pela primeira vez num blog por aí), vou contactar produtoras interessadas numa resposta ao programa: O Grrrl Eye For The Straight Girl.

O programa reunirá 5 consultoras carecas fumantes que usam coturno e pochete e ensinará uma mulher comportadinha a como ser desleixada como somente os homens e entendidas podem ser.

Com a metalinguagem VIII

Definição de homossexualismo:
É quando o sujeito dá a bunda, por prazer.
Definição de viadagem:
É quando o sujeito deveria dar a bunda, por mérito.

7.1.04

Com essa juventude

Dia desses, estava numa banca de jornal e tive oportunidade de ouvir a caixa do estabelecimento tendo a seguinte conversa, pelo telefone:

"Carol? Tenho uma novidade para te contar... PASSEI NO VESTIBULAR! <pausa> Obrigada! Fiquei super feliz! <pausa> Publicidade! <pausa> O que faz publicidade? Não sei... Vou ligar mais tarde para o Beto e pergunto pra ele..."

Parabéns, dona caixa da banca, a mais nova publicitária da família. Vejo que você já tem o básico para seguir nessa profissão: Nem uma vaga idéia dentro da cabeça.

Com a metalinguagem VII

Definição de sinceridade:
Eficiente método para colecionar desafetos, por acidente.
Definição de ironia:
Eficiente método para colecionar desafetos, por prazer.